| Que Babado !
Cláudia Leite é uma baiana arretada, mas cheia de juízo: lê a bíblia no quarto de hotel, não beija sem namorar e odeia ser comparada a Ivete Sangalo.
Difícil ficar de cara fechada ao lado de Cláudia Leite. A vocalista do Babado Novo detesta acordar cedo, mas mostra humor impecável, ainda de manhã, ao fotografar para a Revista da FM O DIA. Ainda mais bonita pessoalmente, ela topa todas: dança, manda beijo e se diverte posando pra gente. Cláudia também é boa de papo. Fala da saudade da família na estrada, de como lida com fãs ousados e dos sacrifícios para encontrar o namorado, o músico Mano Góes, da banda Jamil, que a acompanhou no estúdio. “Ele é o homem que Deus escolheu pra mim”, derrete-se.
Com três anos de Babado Novo e três faculdades iniciadas, Cláudia canta desde que se entende por gente. Começou aos 12, como backing vocal. “Tudo é efêmero, menos minha voz”, frisa a baiana, que nasceu em São Gonçalo, durante uma visita dos pais ao Rio: “Fui para Salvador com cinco dias”. Na correria por conta dos shows, Cláudia admite pensar em carreira solo ‘mais para a frente’. Pressa pra quê?
- Sua vida é sempre corrida?
A gente era nômade antes de ser conhecido. Estou acostumada com as viagens.
Acredito em Deus e não me sinto solitária. Passo o dia no hotel, lendo. O pessoal da produção se preocupa, pensa que estou triste. Mas ninguém substitui o amor da família.
Assalto um dinheirinho do meu empresário e faço a maluquice de pegar um avião para Salvador. Ligo para minha mãe e peço para me esperar com quiabada e carne seca.
- Você sempre fala em Deus...
Não sou evangélica, nem tenho religião. Estudo a Bíblia. As pessoas precisam ter disciplina, falar com Ele todo dia.
- Você deve ser pé no chão...
Sou romântica, sonhadora, mas tenho o pé no chão. Sei que tudo o que vivemos é efêmero. Menos minha voz.
- É difícil manter a cabeça no lugar com o sucesso?
Como diz o Lulu Santos, ‘não leve o personagem pra cama’. Sei que virão outras pessoas tão ou mais interessantes que eu. Terei que buscar sabedoria.
Não vou ter essa carinha branquela e engraçadinha sempre. Solo é mais para frente.
- Você é sempre assim, brincalhona?
Nunca perdi isso de ser a boba da corte, gosto de fazer rir. Mas sei ser séria e determinada.
Seu jeito espoleta já rendeu comparações com a Ivete?
Somos diferentes em tudo, até nas brincadeiras. Ivete é mais mulher, charmosa, tem mais estrada. E é melhor cantora do que eu. Comparam porque quem comanda trio tem o timbre de voz grave.
Tinha gente que enchia o saco, me chamava de clone da Ivete. Não fui concebida em laboratório. Mas não ligo.
No palco sou chata. Mas tenho ótimo senso de humor.
Aí sou outra mulher (risos).
- Sobra tempo para namorar?
Estou há nove meses com o Mano Góes. A gente se compreende e faz sacrifício pra se ver. Vou cansada, com fome. Se ficar muito distante, os dois acabam se perdendo.
Ele já foi para o Macapá me ver depois de show em Florianópolis. Viajou 14 horas.
- Você está muito apaixonada?
Ele é o homem que Deus escolheu pra mim, que me dá segurança. A gente faz planos.
- Você foi namoradeira quando era mais nova?
Nunca cheguei numa festa e beijei uma boca. Sempre fui de me apaixonar. Beijo é coisa profunda, íntima.
As pessoas não estão querendo mais me tocar, querem arrancar pedaço e levar pra casa (risos).
Tem os que chamam de boazuda. Não sou isso tudo. Nos shows, eles gritam princesa. Aí é massa, adoro.
- Os caras jogam camisas...
Eles querem que eu beije camisa suada. Limpo a bota e piso em cima.
- Aí você canta ‘Safado, Cachorro, Sem Vergonha’?
Os homens ficam doidos nessa hora. Foram os meninos da banda que fizeram essa música, se assumiram. |