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Entrevista Com o site venha.com.br

Entrevista com Cláudia Leite,vocalista do Babado Novo

Um ano depois de conquistar o Nordeste (a partir da Paraíba e do Rio Grande do Norte) e se transformar na revelação feminina do hypado Carnaval de Salvador, Claudia Leite, 23, ampliou o seu poder de sedução e, praticamente, se consolidou como o maior nome da nova geração do que restou da envelhecida cena axé music.

Há controvérsias - e como há! - sobre a qualidade artística do Babado Novo, o grupo do qual Claudia Leite é vocalista e líder, e que fecha o palco principal do Festival de Verão Salvador, hoje, após os shows do LS Jack, Jota Quest, Skank e Timbalada, lançando o segundo CD, Sem vergonha - Ao vivo (Universal).

Puxado pelo hit Safado, cachorro, sem-vergonha, o CD repete a fórmula simplicíssima (axé + pop) e adiciona um dispensável clima ao vivo fake. A questão é: o carisma à la Lindinha (uma das Superpoderosas) da cantora resistirá ao desgaste natural de um grupo com as caraterísticas comerciais do Babado Novo? Ela saberá desenvolver sua carreira?

Uma coisa porém não se discute. Claudia Leite é uma fofa. A bonita garota de classe média que trocou os cursos de direito, comunicação social "e até música" pela vida de cantora de trio elétrico adora cães (tem três: Xista, Spike e Shitake) e tem uma cultura pop maneira e adequada à condição de jovem urbana da era 2000.

Cita Coldplay, Alicia Keys, Nando Reis, Los Hermanos, Caetano, Etta James, Susan Tedesch e Djavan como predileções musicais. Lembra dos livros Do fundo dos seus olhos (Dean Koontz), Fausto (Goethe), Operação Cavalo de Tróia (J.J. Benitéz), "qualquer coisa de Clarice Lispector" e da Bíblia, "pois está sempre comigo".

E não titubeia ao listar os filmes que marcaram a sua vida: Despedida em Las Vegas (Mike Figgis), Seven (David Fincher), O sexto sentido (M. Night Shyamalan), Tiros em Columbine (Michael Moore), Cidade de Deus (Fernando Meirelles) e a trilogia O Senhor dos Anéis (Peter Jackson). Todos, realmente, filmes bem interessantes.

A seguir, numa entrevista realizada por e-mail entre o Rio, Cabo Frio e Natal, em meio à lotada agenda de shows do Babado Novo pelo país, você confere mais sobre o que pensa Claudia Leite: da acusação dos detratores de que é uma clone de Ivete Sangalo à paixão pelo compositor Manno Góes, baixista da Jammil e Uma Noites.

  • Você, como muitos artistas, começou a carreira se apresentando em barzinhos. Naquele tempo, você pensava tornar-se uma cantora de que tipo de música?

Claudinha - Sempre quis ser uma cantora. Para isso é preciso, no mínimo, saber distinguir cada tipo de música. Jamais deteria todo conhecimento musical, mas sempre tive interesse pelo que me provoca emoção. Cantei blues e MPB em barzinho porque senti vontade. Canto num trio elétrico pelo mesmo motivo. Além disso, a música baiana me fascina. Fazer Carnaval me realiza de todas as maneiras. Acredito piamente que fiz barzinho para estar hoje em cima de um trio elétrico.

  • Em praticamente dois anos a Babado Novo saiu do anonimato para o sucesso. Aliás, um dos poucos sucessos nacionais do que restou da axé music como cena. Quais as vantagens e desvantagens do sucesso?

Claudinha - Não acho que façamos parte do que restou. A música baiana é muito forte. Nosso Carnaval comprova isso. O Chiclete com Banana sempre foi uma das bandas que mais fazem shows no país, embora não esteja todos os dias nas telas e nas revistas. E olhe que são grandes shows. Os carnavais fora de época estão sempre lotados. A música baiana é sucesso. Se não fosse assim, nós, que somos uma novidade, não conseguiríamos espaço. Estaríamos "dando murro em ponta de faca". Entretanto, graças a Deus, que é maravilhoso, estamos cada vez mais felizes com o resultado do nosso trabalho. As vantagens do sucesso são muitas. Ouvir as pessoas cantando nossas músicas, pulando conosco, compartilhando da nossa felicidade, são as principais. As desvantagens são poucas diante das compensações, mas fazem doer bastante. Por exemplo, estar longe da família e das pessoas queridas quase sempre.

  • Babado Novo é uma banda de laboratório criada por empresários, como outras na história do show biz afro-pop baiano, ou um grupo de músicos que se uniram por afinidade?

Claudinha - Um grupo de músicos que se uniram por afinidade. A verdade é que o Babado era um sonho meu. Cantar no Carnaval com minha banda. Convidei Serginho (guitarrista), Luciano (tecladista) e Nino (percussionista), que são meus companheiros há cinco anos. Estávamos no Pelourinho, em Salvador, quando decidimos que começaríamos os ensaios. A princípio não tínhamos nome e Cal Adan, que já era meu empresário, se interessou pelo projeto e nos batizou de Babado Novo. A partir daí as coisas foram acontecendo.

  • As comparações com Ivete Sangalo, quando você surgiu, lhe incomodaram? Qual a sua relação com isso?

Claudinha - Eu detestava quando se referiam a mim como "o clone da Ivete Sangalo". Especialmente porque se tratava de pessoas que jamais haviam sequer ido aos nossos shows. Comparavam-me a ela sem ter embasamento em suas críticas. Porém, quando diziam que eu tinha o timbre parecido e que eu era carismática como ela, a coisa mudava de figura. Eu ficava envaidecida e contente por saber que me associavam a Ivete. Ela é fantástica. Tenho influências positivas de Ivete no meu trabalho. Recomendo Ivete Sangalo para toda cantora. Bem como Margareth, Daniela, Marisa e todas as grandes artistas brasileiras.

  • Acho curioso que, embora ligada ao axé, você projete algo pop que atinge muitas garotas de 12/13 anos que gostam de artistas do poperock como Avril Lavigne, Pink, Pitty, CPM 22, Felipe Dylon, etc. Eu conheço meninas assim. Como é a sua relação com essa parte do seu público?
  • Claudinha - Fico muito contente por saber disso. Que maravilha!!! Não faço distinção entre um público e outro. Para mim são todos iguais. Trato as pessoas com muito carinho porque me dá prazer. Eu acredito que as pessoas se identifiquem comigo porque sou muito espontânea e verdadeira. Sempre ousei no modo de me vestir e fico muito feliz de ver que muitas meninas que vão aos meus shows se vestem como eu, usando dessas meias compridas e coloridas e roupas cor de rosa. Adoro cartoons. Havia colado vários adesivos no meu antigo violão, a maioria das Superpoderosas. Hoje ele está completamente cor de rosa e com uma bonequinha que eu desenhava e que foi aperfeiçoada por Pedrinho da Rocha. Gosto de ver fazendo parte do meu trabalho meus gostos pessoais.
  • Você já pensa em carreira solo? Bem, não seria a primeira artista da axé music a fazer isso. Em muitos casos, é quase o caminho natural.

Claudinha - Babado Novo é minha segunda família. Por enquanto, isso ainda não passa pela minha cabeça. Ainda estou começando. Além disso, na banda, tenho liberdade para expressar minhas opiniões e interferir em tudo, inclusive no repertório dos discos.

  • Como você analisa o novo CD do Babado Novo em relação ao disco de estréia?

Claudinha - Eu gosto bastante dos dois. Ambos, coincidentemente, seguem a mesma linha. Eu queria regravar Falando sério, porque já gostava da música e na minha santa ignorância (risos) não sabia que havia sido sucesso na voz do Rei Roberto Carlos - a conheci na interpretação de Maurício Manieri. Games people play, sucesso do Inner Circle, já fazia parte do repertório e surgiu a possibilidade de gravá-la. Foram duas regravações que, por acaso, seguiram a mesma linha do primeiro disco, onde relemos Amor perfeito e Dyer maker (Led Zeppelin). Como no primeiro trabalho, fomos simples e objetivos. Nossa principal preocupação é com a emoção. Tentamos passar isso para as pessoas.


  • Você faz uma média de 24 shows por mês atualmente. Como conciliar tanta correria com o amor, por exemplo? Aliás, você e Manno Góes, baixista da Jammil e Uma Noites, já pensam em casamento? Há quanto tempo vocês namoram?

Claudinha - Quando existe amor fica fácil correr contra o tempo, fazer mil viagens loucas, etc. Afinal, o Jammil também faz muitos shows e a gente se desdobra pra se ver, mas vale a pena. Ai? A gente pensa em casamento, sim. A gente fala disso (risos). Afinal, estamos apaixonados. Temos muita afinidade e, embora estejamos juntos há apenas sete meses, sei que é por ele que terei de atravessar o país sempre que a saudade apertar.

 

 
 
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